Reflexões no Divã...

                           Dra. Carla Navarro Baltazar Feijoo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Ela é perfeita, mas não sabe...


"Geralmente, eu chego em casa cansado. Jogo minhas roupas pelo chão do quarto e sento no sofá com aquela cara de acabado.


Ela chega, me grita atenção e fala como uma doida de como foi seu dia. Eu fico entre um “uhum” e outro. Entre uma risada e outra.


Mas fico com olhos e ouvidos bem atentos, como um menininho ouvindo uma história de uma heroína que salvou a cidade e ainda lembrou de passar no mercado para comprar meu iogurte predileto.


Ela me faz massagens quando eu peço. Mas só aceita fazer caso eu prometa fazer nela também.


Ela trabalha, estuda, inova em seu visual, malha, prepara a comida e ainda arruma tempo para me amar e me pedir para levá-la ao cinema.


Às vezes, eu penso como é louco o amor. No começo, eu passava noites em claro só para descobrir a melhor forma de conseguir ter um encontro com ela. E, hoje, ela é quem me convida.


No primeiro encontro, eu passei quase duas horas inteiras me arrumando. Coloquei minha melhor roupa e me encharquei com meu melhor perfume só para agradá-la.


Hoje, ele me acha lindo de moletom ou suado após o futebol.


Ela me espera. Ela fica ansiosa para me ver e me liga só para dizer que está com saudades. Ela diz que ama e que morre de tesão por mim. Ela me faz carinhos e arranhões que nunca tive e me beija o corpo inteiro. Quando briga comigo por ciúmes é por medo de me perder.


Ela é perfeita, mas não sabe.


O meu lado possessivo até acha isso bom porque no dia que ela perceber que ela é dez mil vezes melhor do que qualquer mulher nesse mundo, vai querer outro cara dez mil vezes melhor do que eu.


E há vários caras perfeitos por aí. Mas não sei como, ela se encantou por minha barba mal feita, por minhas piadas sem graça e por meus olhos cansados.


Bendita a sorte a minha.


Até hoje, não sei o que falei para ter roubado a atenção dela.


E, se um dia descobrir, falarei o dia inteiro. Trato-a como uma rainha tendo a certeza de que não sou merecedor de um lugar em teu altar.


Mas me esforço tanto que ela acha graça até das minhas imperfeições.


Você já parou para pensar na sorte que tem em ser o sonho da mulher dos seus sonhos?"



(Hugo Rodrigues)








"Interessante duas pessoas que resolvem unir suas vidas e suas diferenças. 


Olha, tá aqui a minha vida. Junta a tua com a minha, a minha com a tua, a gente faz um mix, sacode, remexe, bota um adoçante e bebe tudinho. 


Ui, que delícia, que gostoso, que genial. Isso é o amor. Amor é junção. É exercício de paciência. 


Paciência no sentido de entender que o outro é diferente, sente diferente, pensa diferente, reage diferente, é todo diferente e se você ama, tem que amar igual e não diferente. 


Porque o amor é igualdade. É ser igual nas diferenças: você aceita a minha, eu aceito a sua e a gente vai ser feliz.


Ouié, beibe. E dá pra ser feliz, claro que sim. É possível só quando você quer. 


Por que as pessoas desistem tão facilmente? Eu respondo: não sabem aceitar as diferenças. 


Eu tenho uma tpm horrenda, viro um monstro imenso e melequento, xingo sem pensar, brigo sem querer, procuro alfinetes pra espetar quem me rodeia. 


Tá bom, vai, não sou tão má assim. Brigo com quem é próximo, com quem eu sei que ali irá permanecer.

 

Sabe aquela paciência matinal? Pois ele tem outras paciências muito maiores que as minhas. 


Ele ignora meus comentários tpmísticos, simula uma surdez pra não me dar trela e brigar. 


Por que tô contando essa mini-história-de-paciência-e-diferenças-e-igualdade? 


Porque o amor tem disso: aceitar o outro com tudo o que ele traz. 


Eu trago muita coisa. Tem coisa estragada, sei bem. E tem tanta coisa linda que só quem me conhece sabe. 


Porque eu sou uma pessoa muito boa, entende? Porque eu mudo do açúcar pra pimenta em poucos segundos. 


E isso é bem, bem ruim. Mas cada um tem um poço com água clara e lama, se é que você entende." 



(Martha Medeiros)







"Se ame muito pra me amar. Me ame de graça e por tudo que eu sou.



Me ame pelas minhas partes tracejadas, picotadas, rasuradas, limpas, claras e legíveis. 


Me ame quando eu sacudir o avesso de mim. Me ame quando eu me perder numa avenida que tenha o nome escrito em uma placa grande com a fonte maior ainda. 


Me ame quando a placa grande com o nome da avenida estiver gritando na minha cara e, ainda assim, se eu continuar zonzamente perdida, sem saber pra onde ir ou como me achar, me abrace silenciosamente e diga baixinho no meu ouvido que está ali, assim vou saber que você me ama. 


Me ame quando eu souber o meu lugar. 


Me ame quando eu disser que tá tudo bem, que nem foi nada de mais. 


Me ame entendendo que foi demais, que nada está bem, porque eu disfarço.


Me ame sabendo que meu orgulho de vez em quando ultrapassa os meus 1.69 de altura. 


Me ame quando aparecer uma goteira no meu telhado e o meu quarto virar um riacho.


Me ame muito, me ame sempre, me ame quando eu sorrir, chorar, desistir, quando eu quiser recomeçar.


Me ame quando eu disser que vou voltar atrás. 


Me ame quando todo mundo for embora e a festa terminar. 


Me ame quando eu estiver numa multidão. 


Me ame com vontade, sabendo que você veio e virá sempre antes de mim, porque pra poder amar tem que se aceitar. 


Me ame sim, mas entenda que amor pra mim é aquele que a gente pode amar sendo quem é, com os pés sujos de andar no chão, com o cabelo emaranhado de tanto cafuné e com o coração livre. 


Porque a minha vida é a minha vida. A sua vida é a sua vida. 


Elas quiseram se juntar e andar com as mãos unidas. 


Simples assim, sem essa de eu te dou a vida. Eu dou o amor, somente, porque ele vale mais que tudo. 


E com ele a gente aprende a se amar mais e melhor. Porque o amor não tem título, muito menos definição."



(Por: Martha Medeiros)







"É preciso que as pessoas aceitem a presença de emoções hostis em seus parentes; não cabe mais dizer, perplexo: "Minha própria mãe me inveja!"


Tudo dependerá do grau de maturidade emocional dos pais e dos filhos ao se tornarem adultos: uma filha linda pode sim ser invejada pela mãe.


Uma causa comum para a criação de um ambiente tenso entre os familiares é quando um dos pais é mais agressivo e intolerante à contrariedades.


A maioria dos casamentos ainda se dá entre opostos; um dos pais costuma ser mais calmo e o outro estourado: os filhos têm dois referenciais.


Se os irmãos tiverem condutas muito diferentes (um como com o pai e o outro com a mãe), a tendência é para o aumento da rivalidade e inveja.


É fato que, além das tensões derivadas do ciúme e inveja, entre parentes portadoras de propriedades antagônicas existem divergências reais.


A regra é que, apesar das divergências reais e diferenças de temperamento, persista, entre pais e filhos adultos e entre irmãos, muito amor.


As tensões e reações hostis tendem a ser bem menores nos lares em que pai e mãe se amam, vivem em concórdia e têm um único padrão pedagógico."



(Por: Flavio Gikovate)