Reflexões no Divã...

                           Dra. Carla Navarro Baltazar Feijoo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Você sabia?


Dormir de lado é a forma mais eficaz para remover o "lixo cerebral"



Dormir de lado, em comparação com dormir de costas ou de bruços, é a forma mais eficaz para remover o "lixo cerebral", resíduos que se acumulam pelo funcionamento normal do cérebro. Por isso, o decúbito lateral pode ser uma técnica simples, mas importante, para ajudar a reduzir as chances de desenvolver Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurológicas.


"A análise nos mostrou de forma consistente que o transporte glinfático foi mais eficiente na posição lateral, em comparação com as posições decúbito dorsal ou ventral," disse Helene Benveniste, da Universidade Stony Brooks (EUA).


"Devido a esta conclusão, propomos que a postura corporal e a qualidade do sono devem ser consideradas quando da padronização de futuros procedimentos de diagnóstico de imagem para avaliar o transporte de CSF-ISF em seres humanos e, portanto, para a avaliação da limpeza das proteínas cerebrais prejudiciais que podem contribuir ou causar doenças cerebrais," defendeu a pesquisadora.


Rota glinfática


A equipe usou uma técnica de imageamento de ressonância magnética por contraste dinâmico para rastrear a rota glinfática do cérebro, um complexo sistema que remove resíduos e outros solutos químicos nocivos do cérebro. Acredita-se que o acúmulo de resíduos químicos no cérebro possa contribuir para o desenvolvimento de doenças neurológicas.


"É interessante que a posição de dormir de lado já seja o mais popular entre os humanos e a maioria dos animais - mesmo os selvagens - e parece que adaptamos a posição lateral ao sono para limpar de forma mais eficiente nosso cérebro dos resíduos metabólicos que se acumulam enquanto estamos acordados," disse a professora Maiken Nedergaard, coordenadora da equipe.

Fonte: Journal of Neuroscience.




Memórias são para sempre:

Você nunca esquece totalmente



Nossas memórias são mais robustas e duradouras do que pensávamos - na verdade, parece ser impossível esquecer de fato alguma coisa. Uma equipe da Universidade de Cardiff (País de Gales) descobriu que é possível reverter a amnésia provocada por métodos que se acreditava produzirem a perda definitiva da memória.


Isto representa a descoberta de um processo no cérebro que poderá permitir a recuperação de memórias perdidas ou, ao contrário, ajudar a enterrar bem fundo más lembranças traumáticas. 


"Pesquisas anteriores nesta área concluíram que, quando você relembra uma memória, ela é sensível à interferência de outras informações e, em alguns casos, é completamente apagada. Nossa pesquisa contesta essa visão e nós acreditamos que prova que as coisas não acontecem dessa maneira," disse Thomas Kerrie, líder da equipe.


Amnésia


A equipe aplicou em cobaias uma técnica descrita na literatura científica como capaz de induzir a amnésia total. De forma surpreendente, eles descobriram que é possível aplicar "lembretes fortes o suficiente" para trazer de volta a memória, mostrando que não ocorreu de fato uma amnésia total.


Embora os resultados tenham sido demonstrados em camundongos, a equipe afirma esperar que eles possam ser verificados igualmente nos seres humanos, abrindo o caminho para o desenvolvimento de novas terapias e novas drogas para pessoas que sofrem com distúrbios de memória.


"Estamos ainda muito longe de ajudar as pessoas com problemas de memória. No entanto, esses modelos animais refletem com precisão o que acontece nos seres humanos e sugerem que nossas memórias autobiográficas, nossas auto-histórias, são obscurecidas por novas memórias, em vez de serem perdidas," disse o professor Thomas. 


"Esta é uma perspectiva interessante em termos do tratamento de doenças psiquiátricas associadas com distúrbios de memória, tais como o transtorno de estresse pós-traumático, a esquizofrenia e a psicose," concluiu.



Fonte: Diário da Saúde




Será necessário "ligar a memória"  para nos lembrarmos?


Amnésia contingente


Lembrar pode não ser uma atitude tão simples como se imaginava: as pessoas podem ter de "ligar" suas memórias a fim de acessá-las e se lembrar, mesmo no caso dos detalhes mais simples de uma experiência. Isto indica que a memória é muito mais seletiva do que se pensava anteriormente, produzindo o que os pesquisadores chamam de "amnésia contingente".


"Acredita-se geralmente que você vai se lembrar de detalhes específicos sobre as coisas com as quais você está lidando, mas nossos experimentos mostram que isso não é necessariamente verdade," explica o Dr. Brad Wyble, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia (EUA), que realizou os experimentos com seu colega Hui Chen. "Nós descobrimos que, em alguns casos, as pessoas têm dificuldade em se lembrar até mesmo de partes muito simples de informações quando não esperavam ter que se lembrar delas," esclarece Wyble.


Memória surpresa


Os pesquisadores testaram a memória de 100 estudantes, divididos em vários grupos. Cada grupo fez uma variação do experimento, a fim de reproduzir os resultados para diferentes tipos de informação, tais como números, letras ou cores.


Os testes mostraram sinais de "amnésia contingente", que ocorre quando uma pessoa usa uma informação para executar uma tarefa, mas não é capaz de repetir especificamente a informação apenas um segundo depois. Esse esquecimento contingencial ocorreu fortemente quando os estudantes foram surpreendidos com a pergunta sobre a informação que não era central no experimento, mas que eles haviam acabado de usar.


Após o teste surpresa, a mesma pergunta foi repetida na próxima prova, mas então os estudantes já estavam alertas. Desta vez, eles saíram-se muito melhor, com uma média de lembrança que saltou de uma média 25% para algo entre 65 e 95% entre os diferentes experimentos.


Interpretações


Os pesquisadores dizem que esse resultado sugere que as expectativas das pessoas desempenham um papel importante na determinação do que elas se lembram, mesmo com relação a informações que elas usaram ativamente. "Parece que a memória é como uma espécie de câmara de vídeo," disse Wyble. "Se você não apertar o botão gravar, ela não vai 'lembrar' daquilo para o que a lente está apontando. Mas se você apertar o botão, neste caso você sabe que terá que lembrar - então as informações são armazenadas."


Contudo, os experimentos parecem não dar suporte à interpretação do pesquisador, uma vez que quase um quarto dos estudantes lembrou-se das informações sem terem "apertado o botão gravar". Assim, parece que a memória é armazenada de qualquer forma, mas torna-se mais difícil trazê-la à consciência quando achamos que não é essencial lembrarmo-nos dela. Ou, o que complicaria novos experimentos, pode ser que a memória não seja armazenada igualmente ou tão fortemente por todas as pessoas.


Fonte: Diário da Saúde



Salvar arquivo no computador melhora memória


Descarregar a memória


O simples ato de salvar um arquivo no computador pode melhorar a nossa memória para as informações que encontrarmos a seguir. Quem garante são Sean Stone e Benjamin Storm, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, em um estudo publicado na renomada revistaPsychological Science.


Os experimentos realizados pelos dois pesquisadores indicam que o mero ato de salvar o arquivo ajuda a "liberar recursos cognitivos" que podem ser usados para lembrar novas informações. 


"A ideia é incrivelmente simples: Salvar [o arquivo] funciona como uma forma de descarregamento. Ao assegurar que determinadas informações estarão digitalmente acessíveis, podemos realocar recursos cognitivos usados para manter essa informação e concentrarmos em lembrar novas informações," disse o Dr. Storm.


Esquecer para lembrar


Estudos anteriores haviam indicado que salvar informações em um dispositivo digital, como um computador ou câmera, tira essas informações da memória - uma espécie de esquecimento induzido pelo salvamento. 


"Nós tendemos a pensar sobre esquecer como algo que acontece quando a memória falha, mas as pesquisas sugerem que o esquecimento desempenha um papel essencial no apoio ao funcionamento adaptativo da memória e da cognição," explica Storm.


No primeiro experimento, estudantes universitários abriam e estudavam pares de arquivos (Arquivos A e B). Cada arquivo continha uma lista de 10 substantivos comuns. Os voluntários tiveram 20 segundos para estudar o Arquivo A antes de fechá-lo. Eles então estudaram o Arquivo B pelo mesmo tempo e foram imediatamente avaliados sobre quantos nomes conseguiam se lembrar deste último arquivo. Finalmente eles foram avaliados quanto à lembrança dos substantivos do Arquivo A.


Mas o fator mais importante do experimento é que, na metade dos testes, os alunos foram orientados a salvar o Arquivo A em uma pasta específica após estudá-lo. Na outra metade, eles deviam simplesmente fechar o arquivo.


Salvando para lembrar


Os resultados foram claros: os alunos se lembraram de mais palavras do Arquivo B quando haviam salvo o Arquivo A do que quando o tinham simplesmente fechado. Os resultados foram confirmados com a repetição de todo o conjunto de testes com um novo grupo de voluntários.


Este segundo grupo rendeu ainda outra confirmação: quando os pesquisadores disseram a uma parte deles que o arquivo salvo poderia não ser recuperado, os benefícios do salvamento se foram, e eles não apresentaram os ganhos de memória.

"Ao tratar computadores e outros dispositivos digitais como extensões de memória, as pessoas podem estar se protegendo dos custos de esquecer e aproveitando os benefícios," concluiu Storm.


Por: Anna Mikulak