Reflexões no Divã...

                           Dra. Carla Navarro Baltazar Feijoo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                             

Psicopatologias



Psicopatologia é a área do conhecimento que estuda os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental. É a área de estudos que está na base da psiquiatria, cujo enfoque é clínico. É um campo do saber, um conjunto de discursos com variados objetos, métodos, questões: por um lado, encontram-se em suas bases as disciplinas biológicas e as neurociências, e por outro se constitui com inúmeros saberes oriundos da psicanálise, psicologia, antropologia, sociologia, filosofia, linguística e história.

Em Medicina e em Psiquiatria, muitas vezes são utilizadas nomenclaturas diferentes para designar a mesma coisa. A partir do CID-10, foi introduzido o termo "Transtorno", o DSM usa predominantemente o termo "Distúrbio". Desordem, enfermidade, doença são termos menos escolhidos e até mesmo evitados assim como o termo "Neurose" que, após ficar popularizado, foi retirado do uso técnico da psiquiatria
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A Personalidade para a Psicanálise


Segundo a Psicanálise, a partir do Complexo de Édipo, nossa psique é estruturada.


"Cada estrutura exclui a possibilidade de outra.  Ou seja, um sujeito que se encontra em uma estrutura nunca pulará para outra estrutura. Temos, então, a partir do Édipo, 3 grandes estruturas: Neurose - Psicose - Perversão. No pensamento da psicanálise, qualquer um de nós pode ser classificado em um destes três tipos de personalidade. Cada um está dentro de uma determinada estrutura e sempre estará dentro desta estrutura. 


O sofrimento que leva as pessoas a buscarem a psicologia clínica ou a psicanálise é a base para este sistema de pensamento. Como se vê, as três estruturas são muito ligadas à ideia de doença psíquica. E qual é a diferença entre a doença e a normalidade? Para Freud, a única diferença é de grau. Uns apresentarão mais sintomas, e, com isso, mais sofrimento.


Mas, em última análise, pode-ser classificar cada pessoa em uma determinada estrutura. Cada estrutura apresenta subdivisões, e exclui a possibilidade da existência da outra. Em cada estrutura há um modo – inconsciente – de lidar com o sofrimento provocado pelo Complexo de Édipo. Este “modo de lidar” é o que se chama mecanismo de defesa."


A psique é do jeito que é. E mesmo com a análise, não é possível modificar a nossa estrutura. Se um sujeito é neurótico ele nunca surtará (terá um surto psicótico), assim como é praticamente impossível que um perverso tenha a culpa de um obsessivo."




(, http://www.psicologiamsn.com)


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Temos duas formas de compreender essas estruturas: uma é através dos Mecanismos de Defesa (modo de lidar inconsciente) do Ego, e outra pela Angustia de Fundo dessas estruturas. 


Compreensão baseada nos Mecanismos de Defesa das estruturas do Ego: 


  • Na Psicose, encontramos três sub-divisões: paranoia, autismo e esquizofrenia. O mecanismo de defesa é a foraclusão. O psicótico encontra fora o que exclui dentro, ele fora-inclui, inclui fora o que, na neurose representa a dinâmica do recalque.  Em outras palavras, na psicose o problema é encontrado fora, o problema está sempre fora, nas outras pessoas. Na paranoia é o outro que persegue. No autismo é o outro que (quase) não existe. Na esquizofrenia, como é o outro? O outro pode aparecer como um surto, estranho-bizarro como um monstro, um ET ou Napoleão Bonaparte. Na esquizofrenia a dissociação psíquica é o mais evidente. Uma das características da paranóia consiste no fato de que nesta estrutura os próprios pacientes possuem, de acordo com Freud, a peculiaridade de revelar (de forma distorcida) exatamente aquelas coisas que outros neuróticos mantêm escondidas como um segredo.


  • Na Neurose, encontramos duas sub-divisões: a histeria e a neurose obsessiva. O mecanismo de defesa é o recalque ou repressão. Na neurose, a manutenção do conteúdo problemático como segredo é o que chamamos recalque ou repressão. O paciente neurótico esconde de si mesmo o problema, o sintoma ou a dificuldade que o psicótico encontra fora de si. Ou seja, na neurose há uma cisão da psique. Alguns conteúdos ficam recalcados, escondidos, em segredo e causa sofrimento nos sintomas dos quais a pessoa reclama. Na histeria, a reclamação dá voltas e voltas sobre o problema. É como se pessoa nunca conseguisse chegar ao ponto sobre o qual quer falar mesmo. O seu desejo é sempre insatisfeito, como se a pessoa procurasse alguma coisa (seja um objeto, seja uma relação amorosa) para a satisfazer – mas nunca a satisfação aparece. A reclamação é sem fim. Na neurose obsessiva, há também voltas e voltas ao redor do problema. Mas na neurose obsessiva o que notamos mais frequentemente é a tentativa de organização, de organizar as coisas ao redor para tentar não pensar no que é, realmente, o problema principal.


  • Na Perversão, há o mecanismo de defesa da denegação. (...) O sujeito denega, o que, por exemplo, para um neurótico seria motivo de muito sofrimento.


Compreensão baseada nas Angustias de Fundo das estruturas do Ego:


Pode-se também dividir as estruturas através da angústia de fundo em cada uma delas. Inclui-se aqui a Depressão por estar relacionada com a Psicose (no que diz respeito ao sintoma, por exemplo, da chamada Psicose maníaco depressiva – hoje transtorno bipolar):


  • Psicose – Angústia da entrega. Na psicose, o problema, o sintoma retorna de fora (foraclusão). Por isso, é pouco comum que um psicótico busque análise pois o “inferno são os outros” – não o eu. A angústia é da entrega ao outro.


  • Depressão – Angústia da realização. Na depressão, a questão é com a auto-realização. Há uma ferida narcísica – que não há na psicose – de que o eu não é bom o bastante, nunca bom o bastante…


  • Neurose obsessiva – Angústia da mudança. Na neurose obsessiva, seria o contrário: o desejo está sempre morto (como a questão insolúvel do Hamlet – ser ou não ser…), ou seja, não está em movimento, está parado-morto… A angústia seria a angústia de mudar.


  • Histeria – Angústia de permanência. Na histeria, o desejo nunca permanece, está sempre a mudar…a mudar… A angústia, então, seria de permanecer fixo em um lugar ou em um desejo.


A perversão não aparece neste quadro didático. Do mesmo modo que a psicose, a perversão dificilmente aparece no divã. Poder-se-ia dizer que a perversão também denega a angústia… (a angústia, nesse sentido, não existe para o perverso)…



(Por: Professor Felipe de Souza, http://www.psicologiamsn.com)

                                 O que é normal e o que não é normal em nossa vida mental ?



É importante notar que todos nós apresentamos alguns comportamentos "estranhos" uma vez ou outra. A vida psicológica normalmente é cheia de estados emocionais variados, de transições e crises. Todos nós temos alguns medos ilógicos, algumas idéias intrusas em nossa consciência e estados de ansiedade mais intensos.

O que caracteriza um estado como patológico é quando estas situações dominam a nossa vida mental, quando o sofrimento emocional (ansiedade, desânimo, etc.) passa a ocupar o primeiro plano em nossas vidas e nos impede de viver outras experiências. Na psicopatologia, ocorre certa perda de liberdade e ficamos paralisados em modos estereotipados de funcionamento, sofrendo.

Nestas situações necessitamos de ajuda psicológica. A psicoterapia nos ajuda a sair deste estado de paralisia, ajudando a restaurar nossa capacidade de prosseguir construindo nossa vida e respondendo de modo criativo aos desafios.



Por: Artur Scarpato