Reflexões no Divã...

                           Dra. Carla Navarro Baltazar Feijoo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A mentalidade de vítima e os comportamentos em busca de atenção

Recentemente, eu falei com um colega profissional sobre o que chamo de "mentalidade de vítima" e dos "comportamentos que buscam atrair atenção." Os indivíduos que se consideram "vítimas" acreditam que são os "outros" os responsáveis pelo que sentem, pensam, e pela situação geral de suas vidas. Esse tipo de pensamento está se tornando cada vez mais comum na sociedade e tenho visto vários clientes com essa atitude. O indivíduo insiste que a situação desagradável da sua vida é inteiramente resultado das ações de outras pessoas. Isso me faz lembrar que "essa não é a sua postura de culpa" nas abordagens da Teoria Provocativa e da Mudança Provocativa.

Tais indivíduos sempre culpam os outros pela situação de suas vidas e quando alguém dá um conselho ou uma ajuda, eles, muitas vezes, reclamam que estão sofrendo "bullying"! Essencialmente, o que eles querem é "assobiar e chupar cana ao mesmo tempo": eles solicitam ajuda e conselho, mas, na realidade, não querem fazer nada diferente e nem aceitam o conselho. Eles, então, expressam "preocupações" e "lamentos" anônimos para quem quiser ouvi-los, e nunca para a pessoa com quem eles têm problemas.

Tenho notado que esse comportamento tem crescido nos últimos tempos, e alguns dos exemplos são realmente muito fascinantes. Essa mentalidade de vítima normalmente conduz a ressentimentos existentes há muito tempo, com a pessoa remoendo sobre como se sente por ter sido tratada injustamente pelos outros. Algumas até mesmo decidem dar a sua opinião de novo, contrariamente a todo conselho recebido, em vez de discutir diretamente com quem é visto como a parte responsável.

Esse tipo de comportamento ocorre frequentemente nas interações online quando a "vitima" busca atenção para apoiar a sua crença de ser "injustiçada" pelas outras partes.

Meu conselho é sempre se abster de apoiar as lamentações, pois isso só encoraja os indivíduos a continuarem com o comportamento em busca de mais atenção. Muitos deles acham difícil interagir ou trabalhar com outras pessoas e procuram pessoas semelhantes que irão concordar com a transgressão percebida. Isso cria um pacote online com mentalidade semelhante, e esse comportamento é muito comum nos grupos da rede social, como o Facebook.

Frases comuns faladas (sempre para os outros) por tais pessoas incluem:

"Ele/ela me fez isso..."
"Ele/ela fez X para mim..."
"As pessoas deveriam..."

Esse comportamento ocorre tanto no contexto empresarial como no social. No contexto empresarial, a vítima imaginada reluta e é incapaz de separar as interações sociais das relações profissionais e, previsivelmente, isso cria todo tipo de problema. A vítima acredita que ser confrontada com outros pontos de vista constitui sofrer "bullying" ao invés de ser chamada a prestar conta de suas ações.

Muitos desses problemas continuam porque a vítima não vai realmente esclarecer o "problema" com a pessoa que ela imagina estar praticando bullying com ela! No entanto, ela vai passar horas intermináveis gemendo para os outros e se envolvendo no comportamento em busca de atenção como "a vítima".

Essa lacuna em aceitar a responsabilidade pessoal é o tema central desse comportamento. Eles também procuram repartir toda a culpa com terceiros que eles imaginam serem os "responsáveis" por fazê-los se "sentirem assim". Ao fazer o papel de vítima eles podem tentar eliciar simpatia infinitamente e permanecerem o centro das atenções. Essa postura de vítima imaginada é muito diferente das vítimas genuínas que têm problemas reais na vida. O tema central é ser "injustiçado" por todos os outros.

Para citar os famosos filmes "Carry On" (comedia britânica) – "Infâmia, infâmia, todos eles a têm para comigo!"

O melhor conselho que posso dar para quem trabalha com essas pessoas é não ser atraído para o comportamento que busca atenção. Elas geralmente insistem que os outros se comportem e reajam de uma maneira particular, e têm um chilique se não conseguem à sua própria maneira. Tenho visto alguns acessos de raiva e explosões maravilhosas ao longo dos anos, e como diria o meu amigo Andrew T. Austin: "O seu comportamento não vai ditar a minha reação". Muitas vezes elas tentam chamar a atenção através de lamentos para terceiros e, de novo, a melhor estratégia é não fazer nada, não aceitar a encenação.

Muitos usaram essas manipulações durante anos e fizeram todos dançar a sua música! A "vítima" sempre tem um interesse dissimulado em manter o estado do problema e apesar do que proclama, ela basicamente não está interessada em nenhum outro ponto de vista a não ser o seu próprio.

(Por: Nick Kemp - O artigo "The victim mindset & attention seeking behaviours(link is external)" encontra-se no site www.nickkemp.com. Tradução JVF, direitos da tradução reservados.)